Outro dia, fui ao shopping com a esposa e filhos. Em uma das lanchonetes, fizemos o nosso pedido, que podia ser ao gosto de cada freguês, sem qualquer problema. Claro que, apesar de toda liberdade que tínhamos, só poderíamos pedir o que estava de acordo com o cardápio da loja e com nossas posses e preferências, naturalmente.
O que temos percebido é que o princípio do fastfood tem sido aplicado à vida como um todo, de forma deliberada. Mas isso nem sempre é possível, mesmo quando se trata de comida. Muitos pais passam grandes apuros quanto à alimentação de seus filhos, pois, muitas vezes, estes desejam que em casa se tenha a mesma variedade das lanchonetes do shopping. Mas isso também não é possível sempre, por questão de tempo ou recursos.
Interessante! Parece que há um desejo fantasioso em nossa sociedade de que se aplique esse princípio a todas as áreas da vida, inclusive à família. Ao que parece, deseja-se que as famílias sejam montadas como no fastfood: ao gosto do freguês. Embora tenhamos relativa liberdade tanto no fastfood quanto em qualquer outro lugar, vamos encontrar parâmetros e princípios que precisam ser seguidos. No caso da família, cremos que há um padrão bíblico de estruturação familiar, que é diferente do padrão estabelecido por nossa sociedade, mesmo quando encontra respaldo legal. Neste caso, vale lembrar: nem tudoa que é legal é moral e nem tudo que é legal se ajusta ao plano e ao propósito de Deus para nossas vidas. Também, não significa que tudo que é legal não possa ser questionado. Pois sempre encontramos leis que são injustas, equivocadas e que precisam ser modificadas pelo poder competente ou, então, como resultado de muita oração.
Tais coisas têm sido impostas, muitas vezes, sob o pretexto de que o Estado é laico, o que, de fato, deveria ser. Afinal, é o que ocorre quando se trata, sobretudo, da fé cristã, do islã, das religiões afrodescentes e de outras religiões cristãs e não cristãs. Mas o País tem sido dirigido pela religião do “EU”. Vivemos numa sociedade ególatra, em que as pessoas querem fazer o que lhes agrada, tanto de forma individual quanto coletiva. Assim, vive-se um princípio considerado supremo numa sociedade hedonista: “Você merece ser feliz”.
Isso, porém, não anula o padrão bíblico, sobretudo para os cristãos, que, conquanto sejam conclamados pela Palavra a respeitar “César” ou o “Estado”, com suas leis, também são conclamados a afirmar, ainda que com o sacrifício da própria vida, que Jesus Cristo é o Senhor.
Ora, se Jesus Cristo é o Senhor, cada cristão deve viver segundo o padrão bíblico o seu casamento e transmitir isso aos seus filhos de maneira sábia e responsável. A Igreja Primitiva, que vivia em um contexto de valores tão elásticos quanto os da sociedade atual, sem lançar mão da violência, pois os cristãos devem ser pacificadores, mudou os últimos vintes séculos da história da humanidade.
Temos que admitir que nós, cristãos, somos os maiores culpados por tudo isso que anda acontecendo, pois abrimos mão de ensinar esses princípios. Se há alguém que deve pedir perdão, somos nós, pois negligenciamos a proclamação da verdade. A sociedade, mais do que ré, é vítima de nossa própria negligência e omissão.
Precisamos resgatar os princípios da Igreja Primitiva, que, sem violência e, muitas vezes, sendo vítima desta, pôs o Império Romano abaixo. Portanto, se cada cristão, de forma serena, adotar o padrão bíblico como estilo de vida e ensinar a seus filhos e aos filhos de seus filhos e pelo bom testemunho influenciar a comunidade em que vive, poderemos reverter o quadro que está se instalando em nosso País.
Nosso compromisso é com a transformação de vidas por meio da palavra, das ações e das atitudes que refletem nossa identificação com Jesus Cristo, que veio para dar a sua vida em resgate de muitos, inclusive da minha e da sua vida.
Portanto, há um padrão bíblico de família. Se você deseja agradar ao coração de Deus, deve aceitá-lo, mesmo que isso contrarie suas inclinações. Pois, todos nós, indistintamente, em alguma área da vida, lutamos contra pensamentos e desejos que facilmente podem nos afastar de Deus. No entanto, quando temos consciência de que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita e de que não se perde por viver segundo sua vontade, se cremos em Cristo, o melhor está por vir.
Pr. Jackson Andrade